Plantas geneticamente modificadas

Plantas geneticamente modificadas

Biotecnologia

Lukanu Sebastião
Publicado por
Lukanu Sebastião
terça-feira, 03 de junho de 2025

Mestrando em Biologia Molecular e Celular na Sorbonne Université. CEO da Ngangu Ciências e Tecnologias. 

 

OGM são ruins? Depende. 

OGM (Organismos Geneticamente Modificados) são organismos cujo genoma foi alterado com o objectivo de expressar ou silenciar certas características. Uma coisa importante: OGM não é sinónimo de híbrido, e isso precisa ficar claro.

A maioria dos alimentos que comemos hoje, como banana, porco ou vaca, são híbridos. Eles são resultados de cruzamentos seletivos feitos por séculos. A diferença é que, com a biotecnologia, conseguimos chegar a resultados parecidos, contudo muito mais rápido e com mais precisão (Ministère de l’Agriculture, 2024).

 

Por que usar OGM? 

1. Questões sanitárias e ambientais

Só em 2024, foram usadas cerca de 4 milhões de toneladas de pesticidas na agricultura mundial (Pestizidatlas, 2022). Isso tem impacto direto na saúde das pessoas e no meio ambiente.

Mesmo a agricultura orgânica, sendo mais controlada, ainda recorre a substâncias como o cobre que é cito tóxico, em abundantemente (ANSES, 2020).

Com OGM, é possível desenvolver plantas mais resistentes a pragas e doenças. Isso reduz a dependência de agrotóxicos.

2. Questões climáticas

Mudanças climáticas estão tornando as secas e as chuvas cada vez mais extremas. Isso afeta diretamente a agricultura. Se conseguirmos modificar geneticamente algumas culturas para resistirem melhor ao estresse hídrico, podemos garantir mais estabilidade alimentar em regiões vulneráveis.

 

Os OGM são 100% seguros? 

Não. E nenhum produto da agricultura moderna é. Mas, até agora, os estudos evidenciam que os OGM não apresentam mais riscos à saúde ou ao meio ambiente do que os produtos convencionais (EFSA, 2024).

Um estudo publicado na Toxicological Sciences em 2019 mostrou que não houve efeitos tóxicos relevantes em ratos alimentados com milho transgénico por seis meses (Coumoul et al., 2019).

Além disso, revisões amplas como a de Snell et al. (2012) não encontraram evidências convincentes de problemas em estudos de longo prazo.

Mesmo os cientistas mais críticos ainda não conseguiram provar que os efeitos observados nos seus estudos estão ligados à modificação genética em si (ANSES, 2023).

 

Quais os riscos? 

A principal preocupação não é nada comprovado, mas sim possibilidades incertas, como a expressão de moléculas inesperadas, alergias alimentares e contaminação genética com plantas nativas (Sampson, 2004; Taylor, 2006).

O cruzamento acidental entre OGM e plantas selvagens pode levar à perda de sementes tradicionais e da biodiversidade.

E também há o problema económico e ético: algumas empresas criam OGM resistentes aos seus próprios pesticidas, o que leva ao uso intensivo desses produtos, e toda a culpa vai pro OGM (Bohn et al., 2013).

 

A minha visão sobre os OGM 

1. Uso limitado, com foco climático

Defendo o uso pontual dos OGM, especialmente em situações extremas. Como no caso de secas severas tipo o que aconteceu no Cunene. A Argentina, por exemplo, já desenvolveu um trigo transgénico resistente à seca (INRAE, 2023).

2. Prevenir contaminação genética

Com ferramentas como o CRISPR, já conseguimos tornar as células reprodutivas dos OGM inférteis. Isso ajuda a evitar que eles se espalhem de forma involuntária e contaminem outras espécies (Li et al., 2023).

3. Cultivo restrito e contextual

Só usar OGM em culturas que fazem parte da alimentação básica da população, e apenas quando a situação realmente exigir.

 

Conclusão 

A gente vai precisar encontrar formas de lidar com os efeitos das mudanças climáticas. E a edição genética pode ser uma ferramenta importante nessa luta. Mas é preciso muito cuidado. Regulamentar bem, usar com consciência, e evitar abusos. O problema não é o OGM em si é o que se faz com ele.

 

Referências Bibliográficas